Tuesday, March 28, 2006

O mapa

Sinto vergonha, sim, pilha-me a alma
saber que no calor da paixão revelei,
expus e transpareci a composição da seiva
que me alimenta os dias e noites em que não estás.

Não que tenha medo ou orgulho, esse sentido corrosivo
que descalça o mais belo sentido da vida, que corta,
sem avisar, o momento mais intenso, ainda que sem palavras,
aquelas palavras, naquele dia, o tal dia. Silêncio. Teu.

Ó criadora do amor, que me obriga a tamanha audácia,
pública, sem alternativa. Atalha-me o caminho. Tu,
que tudo consegues, mais do que desejas, para lá do humano,
atalha-me um caminho e revela-me um percurso.

Num mapa, talvez, que consultarei em cada bifurcação,
em cada rumo tentador, em cada Norte perdido, sempre
animado por estar perdido algures na tua criação inocente,
assim acredito, e quero acreditar, sem reservas.

A ti, que sabes como é bom guirmo-nos por um mapa que nos desorienta.


Nota: A comentarem, agradeço que comentem com igual grandeza de sentidos.

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